
De acordo com com o portal G1, “Uma carta deixada pelo advogado Renato Ventura Ribeiro, encontrado morto na quarta-feira (22) ao lado do filho de 5 anos, é para a polícia a prova de que Ribeiro planejou assassinar o filho e se matar em seguida. Segundo a polícia, ele tomou a atitude, conforme escrito no bilhete, para “corrigir o erro, abreviando-lhe [ao filho] o sofrimento”. E também de acordo com a polícia, “...o advogado, que também era professor da Universidade de São Paulo, não aceitou perder a guarda da criança. Em janeiro, a Justiça determinou que a mãe da criança, também advogada, ficaria com a guarda do filho. Um mês depois da decisão, o advogado comprou uma pistola e fez um curso de tiro.
O menino chegou ao apartamento do pai, na Zona Sul de São Paulo, na sexta-feira (17). Ele ficaria com o advogado até domingo (19). Na data, a mãe registrou um boletim de ocorrência por não ter conseguido localizar o filho. Na quarta-feira, a faxineira que trabalhava no apartamento do advogado encontrou os corpos dos dois dentro do quarto”.
Veja a íntegra da carta
“Aos meus amigos,
Em primeiro lugar, saibam que estou muito bem e que a decisão foi fruto de cuidadosa reflexão e poderação (sic). Na vida, temos prioridades. E a minha sempre foi meu filho, acima de qualquer outra coisa, título ou cargo.
Diante das condições postas pela mãe e pela família dela e de todo o ocorrido, ele não era e nem seria feliz. Dividido, longe do pai (por vontade da mãe), não se sentia bem na casa da mãe, onde era reprimido inclusive pelo irmão da mãe bêbado e agressivo, fica constrangido toda vez que falavam mal do pai, a mãe tentando afastar o filho do pai etc. A mãe teve coragem até de não autorizar a viagem do filho para a Disney com o pai, privando o filho do presente de aniversário com o qual ele já sonhava, para conhecer de perto o fantástico lugar sobre o qual os colegas de escola falavam.
No futuro, todas as datas comemorativas seriam de tristeza para ele, por não poder comemorar junto com pai e mãe, em razão da intransigência materna.
Não coloquei meu filho no mundo para ficar longe dele e para que ele sofresse. Se errei, é hora de corrigir o erro, abreviando-lhe o sofrimento.
Infelizmente, de todas as alternativas, foi a que me restou. É a menos pior. E pode ser resumida na maior demonstração de amor de um pai pelo filho.
Agora teremos liberdade, paz e poderei cuidar bem do filho.
Fiquem com Deus!”
Impossível eu não ficar chocado, por mais que algumas pessoas digam que com o tempo vamos achar tudo isso normal, pessoalmente nunca vou endurecer minha alma perante atos aberrantes.
Mas eu gostaria somente de salientar um pequeno trecho da carta escrita pelo pai: “Agora teremos liberdade, paz e poderei cuidar bem do filho”.
As pessoas falam de liberdade, e este é um emblema pleno criado sob essa nossa sociedade pós-moderna, todos querem a liberdade! Mas que tipo de liberdade este pai queria? Será que a morte é sinônima de liberdade? E de paz ele estaria se referindo tirando sua própria vida e mais ainda, inocentemente levando a óbito uma criança que não tem culpa alguma. E de que cuidado ele se refere? Será que matar é cuidar? Será que a morte sangrenta foi à solução para esta família e para tantos outros que fizeram e que hoje estão dispostos a qualquer momento repetir tal ato? Isso para minha mente possui uma estranheza sem tamanho! É, por mais que muitas pessoas achem que a morte pode realmente resolver nossos problemas, isso é o que chamo de fuga alucinada Isso é veridicamente complexo, eis aí o ser humano algumas vezes fascinante e em outros momentos totalmente macabros!
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