terça-feira, junho 02, 2009

Vida e Vidas


Final de sexta, o anoitecer já anunciava o frio, que com o passar das horas iria se alargar com certeza. A garoa e a friagem da noite não poderia impedir que um grupo de jovens fizessem algo tão lindo por pessoas.
Mas, pra frente vou falar sobre este trabalho volutário que conheci por intemédio de duas amigas verdadeiramente lindas tanto por dentro quanto por fora, Thalita e Luana elas realmente me ajudaram a ver coisas que nunca tinha visto antes ou sentido. A “líder” podemos assim dizer, ou melhor; a idealizadora deste projeto, a Glauria, talvez eu fale mais dela lá na frente; sou fãn desta moça, admiro demais o que ela faz, mas são só ela e sim todos que estou conhecendo neste projeto. Como disse anteriormente, nesta postagem iria falar só sobre sentimentos, e aqui estou pra falar sobre o que sentir e vi.
Mas só rapidinho: este projeto tem como objetivo ajudar pessoas. Então a meta é toda sexta feira a noite juntarmos amigos voluntários e levarmos pro centro da cidade aos arredores da Sé: frutas, um bom lanche natural, roupas, agasalhos, cobertores e literatura cristã.
Eu sinceramente nunca participei de algo assim. Sentir-me tão útil, era como se estivesse colocando mais amor em minhas mãos.
Ao arrumarmos tudo em dois carros, com todo mundo bem apertado (houve algumas mudanças de logística no caminho) mas fomos lá, e chegando no centro em frente da faculdade de direito da usp paramos os carros. Eu logo já comecei a olhar para ver se tinha pedintes ali por perto e só vi alguns grupos deitados sob a noite fria. Alguns deitavam juntos em cima de vários papelões. Outros pareciam se sentir melhor mais afastados. Quando começamos a tirar as coisas do carro, eles foram surgindo como mortos vivos entendem? Roupas mal trapilhas, rasgadas. Pessoas enroladas com cobertores sujos e encardidos, e aí de cara me perguntei: meu Deus quem são estas pessoas? E por que elas estão aqui?
Começamos a distribuição, enfileiramos os alimentos e eles fizeram uma fila. Começou a aparecer, negros, brancos, velhos, crianças, mulheres, senhoras, até mesmo mães com seus bebês, todas estavam em busca de alimentos. Conheci um rapaz chamado Marcelo, seria com ele que iria responder minhas indagações sobre aquelas pessoas esquecidas pelo tempo e pela sociedade. O Marcelo era órfão de pai e mãe, ele só tinha uma tia, mas ela faleceu e aí ele ficou só. No entanto ele descobriu que tinha um irmão, porém ele morava no Rio mas infelizmente era bandido. Conversamos e aí este novo amigo pedinte começou a perguntar sobre situaçés como se eu fosse "o cara" que teria solução pra tudo, tadinho de mim! Me indagou sobre assuntos do tipo:
-Sr Jefferson, o sr sabe se eu posso sonhar?
- Quero sair da rua, ter uma vida, será que consigo sair da rua e ser um homem normal?
-As pessoas olham pra mim e acham que eu sou ladrão, trombadinha, mas eu não sou! Já usei drogas, já apanhei da policia, mas eu não quero fazer mal a ninguém o sr entende?
-O sr confia em mim?
Aquele jovem de 22 anos, olhando fixamente pra mim, não sei como ele me via, mas parecia que ele achava que eu faria algo a mais, mas o que eu poderia fazer pra tirar ele dali? Fiquei completamente perdido. E voltando pra casa já bem tarde, me perguntei: Onde o Marcelo irá dormir esta noite? Como um jovem que toma banho 2 ou 3 vezes por semana na represa Guarapiranga pode achar que alcançara todos os sonhos? Ele não tem, dinheiro, não tem trabalho, não tem amigos, não tem escola, não tem religião, não tem roupas, não tem família, não tem casa, não tem uma cama. Nossa, como ele vive meu Deus? Olhei pra dentro de mim e sentir uma vontade de chorar; porque por uns 10 segundos tentei me imaginar no lugar dele, e sentir um vazio tão grande! Arrepiei-me só de pensar como é a vida de uma pessoa sem nada, absolutamente nada. Porque tudo isso existe? Quis a volta de Jesus logo! Quis tocar no Marcelo e trazê-lo pra minha casa, e dividir tudo, minha cama, minhas roupas, minha amizade. Mas como posso romper esta barreira? Como vou trazer alguém pra minha casa? E aí meu pensamento foi lá no macro: imagina Deus vendo todas as pessoas abandonadas neste mundo, filhos, criaturas feitas a Imagem Dele, vivendo em total desalento! Nunca mais vou ser o mesmo depois desta sexta feira. Orei com o Marcelo e com varias pessoas ali, falei de Jesus e sobre minha igreja. Falei sobre sonhos e fui infático:
-Marcelo, jamais desista de nenhum deles! Mas será que eu poderia ficar só neste conselho? Será que eu já o ajudei? E aí, o que mais faço? Sentir-me pequeno perante tal situação. Espero que o Marcelo esteja bem, seja onde for, peço pra que Deus o guarde assim como Ele cuida dos passarinhos, que o Nosso Pai também cuide dele em algum lugar agora nas ruas de São Paulo, e pra priorar esta situação tem feito muito frio estes dias e assim tudo se torna mais desafiador: é o preocupar, em só viver e sobreviver e nada mais.

2 comentários:

Anônimo disse...

Oi Jeferson,
gostei do relato,
que Deus continue te usando.

Gláuria

Anônimo disse...

Impossivel nao sentir nada ao ler esse relato! Me emocionei... Se a diferenca esta em NOS fazermos "a diferenca" pq ainda estamos parados?!?
Que Deus continue agindo atraves de vc Jefferson!

Mari Aleixo