quarta-feira, setembro 16, 2009

O absolutismo da beleza

Qual desses elogios você mais gostaria de receber: Que você é bonita(o) ou que é inteligente?
Este texto começou na minha cabeça conversando com uma amiga. Fizeram esta pergunta a ela e eu também pensei: qual desses elogios eu mais gostaria de receber: Que sou bonito ou inteligente? Sinceramente tenho pensado muito sobre o que é ser belo em sua essência. Porque ser inteligente é algo realmente admirável, porém, porque normalmente isso vem em segundo plano? Vamos nos concentrar na beleza exterior. Porque nos aplicamos à formosura e nos esquecemos do resto? Porque muitos falam que beleza não é tudo, mas na pratica acontece regularmente ao contrário? O certo não era criarmos sentimentos dentro de parâmetros do caráter, da força do amor e dos sentimentos?
Porque pelo que sei todo mundo tem: boca, olhos, nariz, queixo, testa, cabelo, sobrancelhas. O que na verdade existe são formas diferentes o que torna cada um singular e é aí onde mora uma beleza infinita; ninguém é igual a ninguém.
Sabe o que realmente vejo? Uma beleza estande, divulgada dentro de parâmetros selecionados a dedo que agrada a uma grande maioria. Sabe aquela beleza que todo mundo acha luminosa? Nossa que linda(o)! Ah isso lá em casa! Então esta é ótima! O rosto tem que ser afinado, o corpo esculpido ou magro, seios só se forem cheios e fartos e por aí vai aquela noção engavetada que já conhecemos. Antagonicamente porque tantas pessoas têm se sentido excluídas e deixadas de lado por não se encaixarem neste perfil áulico social? Se tiver uma característica fora do que estamos acostumados a ver na tv ou na publicidade já não é agradável. Sabe de uma coisa sinceramente? To cansado deste padrão estético, desta beleza deliciosa, deste corpo escultural que todos buscam, desta frieza encorpada sob um preconceito sujo e ordinário que mais e mais pessoas tem se vestido. Por causa disto existem pessoas que não podem trabalhar, nem se desenvolver satisfatoriamente, nem se relacionar plenamente e nem tão pouco ser feliz como realmente são. O que fazermos com aqueles(as) que possuem espinhas, ausentes de músculos salientes, orelhas abanas, um nariz mais acentuado, sem lábios carnudos, sem um sorriso perfeito, sem seios fartos, sem o bun bun de samba, ou sem aquele cabelo super padrão? O que fazer com eles? Excluí-los? Aqui você não se enquadra? Você não pode participar do meu grupinho de garotas lindas e mocinhos bombados? Ou dizermos: sai de perto de mim você é feio(a)? Ou fazermos o pior, fingirmos que a pessoa não existe e tratá-la como um nada? O tempo está passando e tenho chegado à conclusão, bonita e burra, bonita e rotuladora, bonita e preconceituosa, bonita e fria, bonita e estúpida, bonita e pobre de alma não serve para um parâmetro que eu sim quero formar. Tenho preferido a "feia" mas que nao me rotule e me trate como um qualquer ou como somente mais um, de verdade? Não quero mais isso pra mim e nem tão pouco o que a sociedade diz. Cada um sabe o que é melhor pra si não é verdade? Só vamos tomar cuidado para que o ser humano não perca o nome de humano e se torne um monstro qualquer chamado barbie e ken.

Um comentário:

Diógenes disse...

Cara, isso não cansa apenas você. Esses padrões impostos por gente que nem sequer tem um físico como descreve é irracional. Milhares de pessoas se suicidam pelo mundo por esses motivos. E as pessoas que ficam? Ou resistem a opressão ou entram em depressão. Ah, se eu pudesse mudar isso, destruiria a fábrica da Barbie! Chega de criar robôs ao invés de seres humanos, tem uma vida dentro da carne, e pra vive-la não é necessário ter um tanquinho, ou ser magro de seios fartos, só é necessário aceitar que todos somos iguais, idependente das diferenças. Ótimo post amigo!